
295
Santo Antão abade
Estimativa €500–1.000
294
São João Baptista
Estimativa €15.000–30.000
Escultura em madeira entalhada, policromada e dourada.
Representado de pé apoiado em base de tronco, de pés descalços.
Apresenta uma postura dinâmica e sinuosa, com o braço direito elevado com mão pousada sobre um cordeiro que por sua vez, está sobre um livro aberto.
Olhar dirigido para baixo enquadrado por cabelos ondulados e abundante barba.
Espanha, séc. XVI.
(sinais de uso, pequenas faltas e defeitos)
Alt.: 54 cm
A presente escultura revela estreitas afinidades com a produção de Alonso Berruguete (c. 1488–1561), particularmente com a figura masculina atribuída ao escultor e conservada no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, mas também com um conjunto de esculturas provenientes do Retablo Mayor de San Benito el Real, em Valladolid, executado entre 1526 e 1532, entre as quais se destacam o São Sebastião, o São Cristóvão e o Sacrifício de Isaac.
Apesar das diferenças iconográficas e compositivas, estas obras partilham uma linguagem escultórica muito particular: figuras de proporções alongadas, eixos corporais instáveis, movimento serpenteados, cabeças expressivamente inclinadas e um tratamento profundamente recortado dos cabelos e barbas. Também o desenho dos panejamentos, construídos através de pregas largas, profundas e sinuosas, estabelece uma evidente proximidade formal, assim como a articulação entre a madeira entalhada, a policromia e o douramento.
Particularmente significativa é a expressão concentrada das fisionomias e a forma como Berruguete utiliza a inclinação da cabeça e o movimento do olhar para conferir às figuras uma intensa dimensão emocional. Estes elementos encontram-se igualmente presentes no São João Baptista, cuja conceção retabular e tratamento escultórico reforçam a aproximação ao universo de Berruguete.
O conjunto destas correspondências formais permite propor esta atribuição, situando a obra no contexto da renovação da escultura espanhola em madeira policromada das primeiras décadas do século XVI.
Colecção Dr. António Miranda.
A relação entre o que vemos e aquilo que conhecemos nunca está terminada. A forma como vemos as coisas é afetada pelo que conhecemos, ou por aquilo em que acreditamos.