
388
Faqueiro para seis pessoas
Estimativa €2.700–5.000
387
Estimativa €1.500–2.500
Em prata portuguesa com o toque aproximado de 900/000. Decoração rocaille relevada e finamente cinzelada. Topo em forma de campânula com volutas, flores, concheados, pendentes esféricos e três querubins. Correntes fixas de sabor neoclássico com elos ovais e florões. Corpo com decoração relevada e cinzelada com cartelas, volutas, flores e folhas, encaixe do lume destacável com decoração relevada com folhas estilizadas. Braços e remate inferior finamente cinzelados com rocalhas e flores e pendentes articulados com folhas e frutos periformes.
Trabalho português da segunda metade do século XVIII.
(sinais de uso, faltas, partes partidas e outros defeitos)
Alt.: 81 cm
1310 g
Uma lâmpada de oratório muito portuguesa
Remata o conjunto de peças provenientes da Casa das Brolhas uma lâmpada de oratório em prata. Datável do último quartel de setecentos, dentro da estética tardo-barroca da casa, esta lâmpada testemunha o requinte dos seus interiores.
Seguindo uma estrutura formal italianizante, popularizada em Portugal depois das encomendas de D. João V para a capela do paço da Ribeira e de São João Baptista, a lâmpada proveniente da Casa das Brolhas exibe uma liberdade decorativa notável na fusão das gramáticas formais do barroco, do rocaille e do neoclássico. Esta assimilação de várias influências estéticas numa única peça é definidora do gosto português do reinado de D. Maria I (1777-1816).
Na lâmpada das Brolhas, o cinzel do depósito, dos braços e da campânula superior trabalhou segundo o mais requintado rocaille, criando cartelas, flores, grandes volutas e concheados fantasiosos. Por seu lado, as correntes anunciam a racionalidade e o regresso à contenção clássica, definidoras do gosto neoclássico. No entanto, o pescoço do depósito, onde se segurava a chama, é um exercício puro do barroco clássico, que poderia ter sido executado no final de seiscentos. Na verdade, é esta plasticidade e liberdade criativa que tornam a expressão artística portuguesa particularmente interessante entre a segunda metade do século XVIII e o início do século XIX.
A lâmpada de prata das Brolhas é um testemunho particularmente eloquente da ourivesaria portuguesa do final de setecentos, com a grande mais-valia de sabermos para que interior foi pensada e onde foi fruída.
Com efeito, a transversal qualidade das obras deste pequeno-grande núcleo, proveniente da Casa das Brolhas e que a MATER tem o privilégio de apresentar, fala mais alto do que qualquer ensaio teórico sobre a importância desta casa para a história do barroco português. No coração de Lamego, testemunha uma Europa unida pela estética e por uma aristocracia cosmopolita, viajada e, neste caso, alçada aos mais importantes cargos internacionais.
Casa das Brolhas, Lamego
A relação entre o que vemos e aquilo que conhecemos nunca está terminada. A forma como vemos as coisas é afetada pelo que conhecemos, ou por aquilo em que acreditamos.