
620
Espelho de parede ao gosto Arte Nova
Estimativa €1.500–3.000
619
Importante espelho de parede
Estimativa €3.000–6.000
Em madeira com elementos em madeira entalhada e dourada, com frisos relevados em chumbo dourado.
Espelho central de formato rectangular com moldura espelhada.
Espelho superior bizelado com moldura espelhada de recorte sinuoso com decoração de motivos vegetalistas.
Remate superior de perfil recortado, vidro em tons de encarnado com flores estilizadas, centrado por elemento ornamental com medalhão oval com a mesma decoração, rodeado de folhas de acanto.
Suécia, séc. XVIII (primeiro quartel).
(sinais de uso, faltas, defeitos e pequenos restauros)
180x84 cm
Um espelho sueco na Casa das Brolhas
Entre os objectos das Brolhas destaca-se este importante espelho de parede, exemplar da produção sueca do primeiro quartel do século XVIII, aqui atribuído a Burchard Precht (1651-1738).
Natural de Bremen, Precht, estabeleceu-se na Suécia ainda jovem, vindo a tornar-se escultor da corte. A sua colaboração com o arquitecto Nicodemus Tessin, o Jovem, e a viagem de estudo que ambos realizaram a França e Itália, entre 1687 e 1688, foram determinantes para a formação de uma linguagem barroca de matriz internacional, particularmente visível na decoração de interiores e na produção de espelhos.
O presente exemplar reúne alguns dos elementos mais característicos deste universo: madeira entalhada e dourada, molduras de recorte sinuoso, elementos vegetalistas e a utilização de vidro colorido, aqui em tons encarnados, num remate superior de grande efeito decorativo. A combinação destes materiais e a riqueza da composição conferem-lhe o carácter cenográfico próprio dos espelhos de aparato produzidos na Suécia neste período.
A sua importância é reforçada pela proveniência. Uma fotografia antiga do interior da Casa das Brolhas documenta este mesmo espelho colocado numa das suas salas, permitindo confirmar a sua presença na casa e recuperar, de forma particularmente rara, a relação do objeto com o espaço doméstico para o qual foi destinado.
Esta proveniência adquire especial interesse se pensarmos nas ligações internacionais da família. Manuel Pinto da Fonseca (1681-1773), natural de Lamego e 68.º Grão-Mestre da Ordem de Malta, esteve profundamente ligado ao universo cosmopolita de Malta, onde mandou construir o chamado Palácio Brito, em Valletta. Através de sucessivas heranças, o imóvel viria posteriormente a ficar na posse de Macário de Castro Pereira Coutinho, Senhor da Casa das Brolhas.
A presença deste espelho numa casa senhorial de Lamego constitui, assim, um testemunho particularmente expressivo da circulação europeia de objectos de luxo e de modelos artísticos durante o século XVIII, mas também da abertura cosmopolita dos interiores aristocráticos portugueses.
Casa das Brolhas, Lamego.
A relação entre o que vemos e aquilo que conhecemos nunca está terminada. A forma como vemos as coisas é afetada pelo que conhecemos, ou por aquilo em que acreditamos.