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Arco de Violino, W. E. HILL & SONS
Estimativa €3.000–5.000
80
Estimativa €70.000–100.000
Nápoles, c.1750.
Marcado "Nicolaus Gagliano Filius Alexandri fecit Neap. 17??.
Com estojo e alguns pertences.
Comprimento das costas: 351mm, 13 5/16in.
O relatório dendocronológico de Peter Ratcliff, datado de Julho de 2026, atesta que o ano mais recente nos anéis de crescimento da madeira é 1749.
Peritagem, descrição e texto de Kai Dase, Luthier.
A Descoberta de um Excepcional Gagliano.
Kai Dase – Luthier
A família Gagliano foi a mais importante e prolífica família de fabricantes de violinos de Nápoles e manteve actividade por dois séculos. Notavelmente, o seu membro mais antigo, Alessandro (1665-1732), é também o primeiro fabricante de violinos napolitano conhecido.
As obras dos seus filhos, Nicola (c.1710-1785) e Gennaro (1705-c.1790), são as mais procuradas entre todos os fabricantes desta dinastia. Enquanto o pai, Alessandro, desenvolveu o seu próprio modelo, Nicola e Gennaro utilizaram modelos de Amati e Stradivari, tal como exemplificado pelo excepcional violino agora oferecido à praça pela MATER Fine Art. A produção global dos Gagliano foi vasta e é um prazer encontrar um exemplar tão puro como o que agora está perante os nossos olhos.
Quando fui inicialmente contactado para fazer a avaliação deste violino fiquei devidamente intrigado, mas mantive o espírito aberto quanto ao que poderia esperar. Demasiadas vezes nesta profissão, as etiquetas que encontramos no interior dos instrumentos não são originais e foram inseridas para induzir em erro. No entanto, quando abri o estojo e vislumbrei pela primeira vez o instrumento, a sua qualidade falou por si.
Normalmente, não examinaria tão cedo os «ff» à procura da etiqueta, mas havia algo no contorno, algo na preparação e no verniz, e especialmente algo no filete, que simplesmente dava muito boas indicações. O arco francês com montagens de ouro que vi pelo canto do olho aumentou ainda mais o meu entusiasmo e a flor-de-lis no segundo arco era inequivocamente da oficina Hill.
Ler um instrumento como este é sempre entusiasmante. Começa-se pelo estado de conservação, pois é evidente que no passado foi objecto de restauro cuidadoso e de elevada qualidade. Como estamos na Europa, o meu olhar procurou imediatamente uma coroa de ébano sobre o botão e um número Hill, mas mesmo a partir da própria enxertia, era evidente que este trabalho não tinha sido realizado na Hills.
A substituição do botão, contudo, foi belissimamente harmonizada e retocada; apenas a junta revela que este trabalho foi provavelmente realizado há quase cem anos. Como as cordas estavam parcialmente partidas e em falta, presumi que não era tocado há, pelo menos, 40 ou 50 anos. Uma ponte antiga, com o carimbo «Vidoudez», estava guardada no pequeno compartimento e, curiosamente, também um pequeno pano com os distintivos «CC» da Cartier.
A família confirmou que o primeiro proprietário viajava regularmente para a Suíça, onde este sofisticado conjunto foi adquirido. Infelizmente, até ao momento, não foi encontrada qualquer documentação que o acompanhasse. Não é, contudo, um grande salto presumir que este violino foi comprado juntamente com os arcos Fétique e Hill na loja Vidoudez, em Genebra, provavelmente na primeira metade do século XX.
As duas metades da frente são feitas de excelente abeto, com uma fibra bastante fina no centro, que se alarga em direcção aos lados. A curvatura é forte e robusta e não apresenta qualquer abatimento significativo.
Os profissionalmente abertos recortes em ff são direitos e esguios, estão colocados ligeiramente mais afastados entre si (quase 44 mm) e apresentam apenas uma flutuação superficial
O fundo é constituído por duas peças de ácer muito bonito, com veios de largura média, cortados muito ligeiramente fora do corte radial convencional, o que cria um efeito muito agradável, nebuloso e mosqueado no desenho da madeira. Uma pequena inclusão, muito provavelmente uma bolsa de seiva, é visível no lado das cordas agudas do fundo e, após uma observação mais aprofundada, não há qualquer perturbação na superfície do verniz que, para além de pequenos reforços da junta central, nunca foi objecto de reparação. A observação com luz UV revela desgaste nesta região, mas não apresenta qualquer verniz de retoque acrescentado.
Existe uma ligeira discrepância entre a fibra das duas metades do fundo, mas são claramente da mesma árvore e, como a madeira das ilhargas casa extremamente bem com a do fundo, presumo que as ilhargas tenham sido cortadas da madeira do fundo.
A voluta é cortada em quarto e revela belissimamente os finos raios medulares. A fibra é semelhante à da madeira do fundo, mas praticamente não apresenta chama.
O filete é típico deste fabricante e, nos “c bouts” do fundo, podemos observar alguma da opacidade que tão frequentemente se forma entre o verniz e o filete.
O verniz é de uma cor âmbar escura e encontra-se intacto em todo o instrumento, não apresentando áreas significativas de retoque. O relatório dendrocronológico atesta o seguinte:
«As correspondências cruzadas mais significativas colocam o anel mais recente, medido no lado dos graves, em 1740 d.C. e, no lado dos agudos, em 1748 d.C. Como é visível o crescimento primaveril do ano seguinte, a data mais recente possível para a madeira é 1749 d.C. (…). Os testes de correspondência cruzada identificaram um número excepcional de correlações altamente significativas com instrumentos exclusivamente de origem italiana. A madeira de ambos os lados pode, portanto, ser descrita como sendo típica dos lotes de abeto utilizados em toda a Itália durante grande parte do século XVIII. (…) Essencialmente, com a data mais recente da madeira em 1749, a frente deste violino poderá ter sido feita a partir de meados da década de 1750.»
Mesmo com algumas reparações, o violino agora oferecido em leilão pela MATER Fine Art encontra-se em belo estado de conservação e é um exemplar puro deste fabricante altamente procurado, que vem à luz após tanto tempo.
Violinista amadora, bisavó do atual proprietário, provavelmente adquirido na casa Vidoudez, em Genebra, no início do século XX.
Sem documentação relativa à aquisição.
A relação entre o que vemos e aquilo que conhecemos nunca está terminada. A forma como vemos as coisas é afetada pelo que conhecemos, ou por aquilo em que acreditamos.